ASTROLÁBIO
Como posso
estar?
Se o meu pensar
vive preso a ti...
E meu Falo em
riste
Procura
desorientado seu pólo...
Minha bússola...
MENINA
DOS OLHOS
Por onde
ando
Você é meu
guia
Plainando,
atravesso multidões para te ver de perto
E quando
deparo contigo
Cara a cara
Teu brilho é
como água do mar...
Um dedo em
riste
Reclama meu
olhar
Por que as
meninas sentem ciúmes de outras meninas?
Por serem
tão belas quanto elas?
Soslaios
querem te fazer acreditar
Que meus
olhos são apenas teus!
CALEIDOSCÓPIO
Vejo as luzes que alimentam a
imaginação e queima a retina
Dos olhos o mundo que tu achas tão
grande com sua pequenez
Que não se
deu conta de tantos sentimentos guardados aquela pessoa Ladrão de lençóis.
A dança dos
acontecimentos conspirou
Para que o
problema financeiro fez flertar
Não mais com
o prisma ilusório do amor, mas o prazer das paixões...
As ondas
sonoras dão cambiantes impressões
Quando
tomamos café da manhã misturada com a ressaca dos exageros da noite passada.
Leituras
sobre Franz Kafka, leituras sobre a ótica dos aborígines que cultivam os laços
sem o germe bárbaro dos góticos.
Passei
quinze anos pensando como eliminar esse voyeur
Mas sua
silhueta visitava todas as noites meus sonhos de adolescente e acordava com as
vestes molhadas pelo choque dos átomos provocados pela energia platônica.
Serei
injusto contigo por não concordar com teu silêncio
Depois de
tanto tempo ver tuas pupilas terem aquela réstia de cor e brilho que somente os
amantes conseguem mostrar.
Às vezes
sinto-me como os personagens de não
amarás.
A fumaça como pensamento se esvai/Flutuando como balões/Procurando,
procurando não sei o que...
Rente aos
meus pés/Pequenos seres rastejantes/Sobre a cabeça aves velozes mergulham nos
ares disputando seus inimagináveis motivos para viver.
Um horizonte
instiga trilhas de rios ao único destino/E as nuvens carregadas de vapores
embevecidas dançam...
Como se estivesse no oriente/Numa
tenda mulheres mostrando seus ventres aos sons de cítaras.
Como se
estivesse nos Andes/Uma grande fogueira com muitos dançarinos ritmados por
flautas de pã.
A fumaça como pensamento se esvai/Flutuando como balões/Procurando,
procurando não sei o que...
Quando ouço
certas canções
Pedaços de
sentimentos...
Temores,
desejos, lutas e glorias!
Não cabe em
meu pensamento
Não cabe em
meu sentimento
Não cabe
essa incessante vontade de prosseguir...
Não cabe
aceitar a efemeridade dos extremos da riqueza e pobreza
Não cabe...
Vamos!
Peguemos as
armas...
Vamos!
Lutemos até
a morte da alienação.
“Quem anda
com luz própria, nada pode apagar...”
Não temos
mais nada a perder
Ou nosso
propósito alimentara as nossas vidas
Ou a
predestinação do sistema guiara todos ao caos.
Não a
justiça para quem esta morto.
Vamos!
Peguemos as
armas...
Vamos!
Lutemos até
a morte da alienação.
“Quem anda
com luz própria, nada pode apagar...”
Nossos
filhos agora terão o que fazer...
Façamos o
movimento
Façamos a
Revolução
Que a
Consciência fará o resto...
Procurando
nas ruas ou em qualquer lugar...
Mas sempre
um dedo aponta no ar...
Você, o verbo
amar
Você, não
quer deixar...
Quase
o dia, noite inteira.
É preciso mais...
É preciso muito mais...
Para poder acabar com o mal que
tanto se faz.
Caminhar no
mundo de tantas posses
O cercado que
separa: quem semeia de quem come.
Na véspera de
um “novo tempo”
A técnica busca superar: o olhar, o
ouvir, o sentir, o falar...
A palavra que
ecoa na casa das palavras
Dos homens que
anunciam
A arte da
revelação contra a maior opressão.
A palavra que
ecoa na casa das palavras
Que denuncia a
mão que aleja os corpos de quem esculpi.
A palavra que
ecoa na casa das palavras
Afirmando que se o verbo veio primeiro então
cante para os corações e mentes: Revolução...
LE IT BE
Foi
na dissonância...
Dos
enigmas que traduzem as canções
O
querer saber onde os pés das paixões caminham
Na
estrada sinuosa do devir...
Gostar
tanto de você
Como
posso cobrar explicações
Daquilo
que ainda aflora no meu peito
Como
broto, como árvore
Que
nasce nas pedras de meu tempo...
Deixe
estar!
A
estranha forma de responder
Aquilo
que marca como tatuagem...
E
se houver um dia sem você...
Porque
se me faz tão bem?
Deixe
estar!
E
de absolutos escárnios
Sejam
calados por nossos gemidos
Frases
sussurradas aos seus ouvidos
Vem
comigo!
Lá
na casa do sonho, na casa do riso
A
vida ficcional determina quem é quem.
Lá
na casa do sonho, na casa do riso
Ninguém
é deveras feliz, tão pouco triste...
Viver
o momento é presente, é a melhor tradução do que é real...
Lá,
coloco minha mais bela roupa a tua espera afrodite. Porque tu vestida para amar
quer o entusiasmo dos mortais sem as artimanhas dos cultuadores da insana moral.
Nesta
casa repleta de portas para entrar e nenhuma para sair
Vou
contando o dia que vira proclamar que tudo não passou de indagações criadas
pela simples capacidade de pensar...
Loucura;
dirão a te encontrar declamando este poema pizarro!
Demente;
chamaram os médicos que mentem diagnosticar o que eles também sentem!
Inspirador
é o arquiteto construtor de casas cheias de devaneios e palavras...
Seu
arrimo tem rimas?
Suas
colunas são concretas?
Seu
teto abissal, tão distante como saturno e tão intenso como o sistema neural...
Lá
na casa do sonho, na casa do riso
Cidades
e mais cidades são iluminadas por sua usina de vagalumes
Eu
não nomeio aquele que está em todos, mas outros chamarão de louco, outros de
poeta.
ENCONTROS E
DESPEDIDAS
Aqui me
despeço
Juntando
migalhas do que poderia ou não ser feito
E assim
guiando o destino como rota de contramão
Vou
cumprimentar rostos acenando a boa viagem...
Encontrarei sonhos
desfeitos
Mares de
arrependimento
Mas levando
comigo a chama dos viventes...
Novas paragens
Encontraremos
aqueles que amam como nos
Em cada luz no
olhar uma fagulha de um incêndio
E no horizonte
a miragem de que tudo pode mudar...
E se
retroceder aquele instante de despedida
Desfazendo todas
tristezas e saudades que causaria
Transforme o
adeus em reencontro
As lágrimas em
alegria de beijos e abraços colossais.
VIA DUPLA
Essas
primeiras décadas desse novo século a política do Brasil chegou ao seu limiar -
apocalypse now .
Seus
medíocres representantes alimentam crises, eliminaram ideologias, sucumbiram a
chamada Esquerda com atos de Direita, deram voz falaciosa a histórica setores
conservadores para falarem em nome dos
desfavorecidos e os seguimentos do movimento
operário foram engessadas em meio a tal caos e absurdos...
Esse
sentimento semelhante a conduzir um veículo desgovernado ou sem freios em alta
velocidade em nebulosa estrada volta à tona:
-
Pelo retrovisor observamos que tudo que lutamos e passamos pode se perder... Os
vermes do absurdo estão na nossa rabeira, por um assalto querem conduzir de
novo o veículo com discórdia ou ditadura;
-
A frente uma estrada cheia de descasos e injustiças que somente podemos vencer
passando por cima, extirpando o mal pela raiz, caso contrário seremos
atropelados pelo desmando e a miséria da política capitalista;
-
Do lado da Esquerda em meio a essa guerra sem nenhuma ideologia que o apoie,
sem nenhum propósito igualitário os trabalhadores sedentos estão como postes, estáticos
no temporal;
-
Do lado da Direita, as hienas exploradoras retomam seus trabalhos arquitetando
e inovando seus famigerados golpes para dominar o corpo social...
-
E acima de nós apenas o céu...
CAPUCHETA
No
céu uma dança no vento guiada pelo carretel de mãos pequeninas
Uma
constelação de cometas multicolores...
Plainando
e rasgando o ventre do azul celeste...
De
repente uma guerra deflagra
Pipas,
papagaios, peixinhos, capuchetas são arsenais
Do
Zigue-zague, desbicadas, enlaçadas e cortes magistrais
Onde
se ganha ou fracassa...
Ninguém
morre...
E
quem perde a batalha pode voltar vigoroso!
Gandulas
à espreita
Um
arrastão de moleques atropelam pedestres, automóveis, muros e caes ferozes em
seus quintais
Dona
Maria grita por ir ao chão as roupas de seus varais...
Seu
Ricardo xinga com a bengala em punho...
A
volta às aulas faz cessar a euforia
Que
voltara nas próximas férias com a mesma alegria...
Tudo
isso faz parte de um passado que revivo na infância de outros...
Isso
talvez não importe na cabeça desses acrobatas e kamikazes mirins
Afinal
o tempo e o vento conduz tudo e todos...
SUPERNOVA
Quando partir não terei
remorsos do que fiz...
As saudades que levo serão
compartilhadas com lembranças que deixarei...
Sem os receios que fortalecem
as dúvidas fiz minhas escolhas...
Mesmo que tantos empecilhos e
covardias retardassem meus propósitos...
Como a morte que não oferece
caminho de retorno
A vida que te deu o mundo
também o deixará...
Seguirei nesta outra jornada
com luz própria
A caminho de tantas outras
estradas da natureza cósmica...
RELEASE
Sei de suas razões e
angústias
Sei das coisas que
impedem de fazer o que desejaria
Poder escolher estar com
outro alguém...
E o mundo dividido levar
todos para um mal irreversível ou continuar na mesmice de sempre!
Tudo mudar é o desafio
do nosso amanhã...
Eu tento
Mas de alguma forma você
consegue retornar...
Vezes por desejos
Vezes em sonhos, sempre
sorrindo para mim...
Mas saiba que o que
sinto por você ficará
Pelo simples motivo que
é só meu
E que ninguém no mundo
pode tirar
Apenas o outro dia
depois de meu último fôlego pôr fim a essa existência!
Tudo mudar é o desafio
do nosso amanhã...
MENINA
DOS OLHOS
Por onde ando
Você é meu
guia
Plainando,
atravesso multidões para te ver de perto
E quando
deparo contigo
Cara a cara
Teu brilho é
como água do mar...
Um dedo em
riste
Reclama meu
olhar
Por que as
meninas sentem ciúmes de outras meninas?
Por serem tão
belas quanto elas?
Soslaios
querem te fazer acreditar
Que meus olhos
são apenas teus!
Com o relógio à vista
Corre feito louco
Atropelando camelôs e bugingangas
Correm entre os carros, prédios, lotações, corre...
Pra pagar as contas, pra poder comer, vestir o filho, pra esquecer Maria
que cobra todo dia um pouco de atenção para o seu tesão...
Sem perceber que sua vida parada como pedra no caminho a espera de algum
tropeço o desperte.
Xingando ter culpa os pais dos filhos da puta do atraso de sua partida
Zé quer ter promoção ao chegar no trabalho onde o patrão de sentinela e
com relógio a prazo te dará o troco.
Zés destes tempos
Não sente que já é tempo
Tempo de viver enquanto a vida escorre pelos dedos
Decodificando seu submundo.
Tempo senhor das Eras
Tempo senhor dos tempos
Homem escravo do tempo
Homem escravo do homem
Escravo
do
ESCRAVO.
Procurando nas
ruas ou em qualquer lugar...
Mas sempre um
dedo aponta no ar...
Você, o verbo
amar
Você, não quer
deixar...
Quase
o dia, noite inteira.
É preciso mais...
É preciso muito mais...
Para poder acabar com o mal que tanto
se faz.
DORES DO SABER
Meu
companheiro de sonhos
Eu
sei que é triste e indiferente
Saber
ou não saber.
Eu
sei o que sentiu
Porque vejo o descontentamento em
minhas entranhas
Mesmo
sem a intensidade que te feriu.
Esta
ansiedade de mudanças
Pode
ser loucura
Mas
como tentou dizer meu companheiro de sonhos
A
verdade do louco é a certeza do sábio.
Sei
que a tristeza que aguça e inflama nosso peito
Não
é de derrota
Não
é de fraqueza
Nem
de compaixão ao mundo.
É
apenas companheiro de sonhos
De
saber “que poucos querem saber ”
De
saber que poucos são felizes
De
saber que poucos lutam.
Esta
é nossa triste verdade
Não
adianta querer costurar nossos lábios
Nos
cantos das orelhas para mostrar-se satisfeitos.
Sabemos
que esta ferida e crua e demais dolorida
Em
pensar que o mundo pode estar adentro
E perceber que
a única revolução humana que enxergamos esta restrita...
À
própria morte?
VIDA REMOTA
Todo
momento deparo com suas esquisitices
De
estar sempre querendo falar de seus atropelos
De suas
injúrias contra tudo e todos...
Estou
tão cansado de ver teu reflexo
Tuas reflexões sobre você mesmo!
Sobre esse mundo que tanto
almeja, mas jamais verá na sua existência ...
Infeliz, pandêmico, grotesco é te ver todo dia
Ao
acordar, a boca seca pedi menta...
Minta... É sua ninfa e amante de Hades!
Quer
mesmo é dar o fora...
Mas é
covarde e está sozinho...
Mas
fica nessa conversa doida consigo
Com
palavras rebuscadas de seu vocabulário academicista.
Solilóquio, solitário ou reservado é a mesma coisa seu egocêntrico
Fugindo
de tudo diz que foi infectado por esse mal que assola o mundo dos
isolados...
Amigos
se tivesse não te ajudaria...
Teus
amigos são na verdade um celular e um laptop...
Agora
quer ser salvo de si mesmo
Mas a
verdade e que desse mal ninguém terá a cura!
E
quando tua covardia romper sua timidez
Estará no
último fôlego...
Querendo
confessar que queria mais uma chance de dizer e fazer o que nunca foi capaz...
Cumprido
sua missão teu corpo não te aguenta mais
E teu
cortejo limitado será para não contagiar os demais infectados...
E você
com seus tantos eus
Dirão que
ainda há tempo
De sair
dessa reflexão refletida nesse teu espelho e de teu pequeno mundo...