domingo, 6 de dezembro de 2020

 



ASTROLÁBIO


 

Como posso estar?

Se o meu pensar vive preso a ti...

 

E meu Falo em riste

Procura desorientado seu pólo...

Minha bússola...

domingo, 15 de novembro de 2020

 

MENINA DOS OLHOS

 

Por onde ando

Você é meu guia

Plainando, atravesso multidões para te ver de perto

E quando deparo contigo

Cara a cara

Teu brilho é como água do mar...

 

 

Um dedo em riste

Reclama meu olhar

Por que as meninas sentem ciúmes de outras meninas?

Por serem tão belas quanto elas?

Soslaios querem te fazer acreditar

Que meus olhos são apenas teus!

 

quarta-feira, 28 de outubro de 2020

 

CALEIDOSCÓPIO

 

 

 

         Vejo as luzes que alimentam a imaginação e queima a retina

         Dos olhos o mundo que tu achas tão grande com sua pequenez

Que não se deu conta de tantos sentimentos guardados aquela pessoa Ladrão de lençóis.  

        

A dança dos acontecimentos conspirou

Para que o problema financeiro fez flertar

Não mais com o prisma ilusório do amor, mas o prazer das paixões...

 

As ondas sonoras dão cambiantes impressões

Quando tomamos café da manhã misturada com a ressaca dos exageros da noite passada.

Leituras sobre Franz Kafka, leituras sobre a ótica dos aborígines que cultivam os laços sem o germe bárbaro dos góticos.

 

Passei quinze anos pensando como eliminar esse voyeur

Mas sua silhueta visitava todas as noites meus sonhos de adolescente e acordava com as vestes molhadas pelo choque dos átomos provocados pela energia platônica.

 

Serei injusto contigo por não concordar com teu silêncio

Depois de tanto tempo ver tuas pupilas terem aquela réstia de cor e brilho que somente os amantes conseguem mostrar.

 

Às vezes sinto-me como os personagens de não amarás. 

 

 

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

 

NARGUILÉ

 

 

 

 

A fumaça como pensamento se esvai/Flutuando como balões/Procurando, procurando não sei o que...

 

Rente aos meus pés/Pequenos seres rastejantes/Sobre a cabeça aves velozes mergulham nos ares disputando seus inimagináveis motivos para viver.

 

Um horizonte instiga trilhas de rios ao único destino/E as nuvens carregadas de vapores embevecidas dançam...

 

Como se estivesse no oriente/Numa tenda mulheres mostrando seus ventres aos sons de cítaras.

Como se estivesse nos Andes/Uma grande fogueira com muitos dançarinos ritmados por flautas de pã.

A fumaça como pensamento se esvai/Flutuando como balões/Procurando, procurando não sei o que...

 

 

 

 

 

 

A PENÚLTIMA REVOLUÇÃO

 

 

 

Quando ouço certas canções

Pedaços de sentimentos...

Temores, desejos, lutas e glorias!

Não cabe em meu pensamento

Não cabe em meu sentimento

Não cabe essa incessante vontade de prosseguir...

Não cabe aceitar a efemeridade dos extremos da riqueza e pobreza

Não cabe...

 

 

Vamos!

Peguemos as armas...

Vamos!

Lutemos até a morte da alienação.

“Quem anda com luz própria, nada pode apagar...”

 

 

Não temos mais nada a perder

Ou nosso propósito alimentara as nossas vidas

Ou a predestinação do sistema guiara todos ao caos.

Não a justiça para quem esta morto.

 

Vamos!

Peguemos as armas...

Vamos!

Lutemos até a morte da alienação.

“Quem anda com luz própria, nada pode apagar...”

 

Nossos filhos agora terão o que fazer...

Façamos o movimento

Façamos a Revolução

Que a Consciência fará o resto...

 

PINGO D’ÁGUA

 

 

 

 

Às vezes me sinto

Largado no mar

Procurando nas ruas ou em qualquer lugar...

Você, o verbo amar

Você, não quer deixar...

 

Mas sempre um dedo aponta no ar...

Ditando caminhos

Para largar

Você, o verbo amar

Você, não quer deixar...

 

Pingo d’água na moleira

Quase o dia, noite inteira.

É preciso mais...

É preciso muito mais...

Para poder acabar com o mal que tanto se faz.

 

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

 

PRELÚDIO


 

 

Caminhar no mundo de tantas posses

O cercado que separa: quem semeia de quem come.

 

 

Na véspera de um “novo tempo”

A técnica busca superar: o olhar, o ouvir, o sentir, o falar...

 

 

A palavra que ecoa na casa das palavras

Dos homens que anunciam

A arte da revelação contra a maior opressão.

 

 

A palavra que ecoa na casa das palavras

Que denuncia a mão que aleja os corpos de quem esculpi.

 

 

A palavra que ecoa na casa das palavras

Afirmando que se o verbo veio primeiro então cante para os corações e mentes: Revolução...

 

 

 

LE IT BE


 

Foi na dissonância...

Dos enigmas que traduzem as canções

O querer saber onde os pés das paixões caminham

Na estrada sinuosa do devir...

 

Gostar tanto de você

Como posso cobrar explicações

Daquilo que ainda aflora no meu peito

Como broto, como árvore

Que nasce nas pedras de meu tempo...

 

Deixe estar!

A estranha forma de responder

Aquilo que marca como tatuagem...

E se houver um dia sem você...

Porque se me faz tão bem?

Deixe estar!

 

E de absolutos escárnios

Sejam calados por nossos gemidos

Frases sussurradas aos seus ouvidos

Vem comigo!

     

 

 

 

 

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

 

Lá na casa do sonho, na casa do riso

A vida ficcional determina quem é quem.

 

Lá na casa do sonho, na casa do riso

Ninguém é deveras feliz, tão pouco triste...

Viver o momento é presente, é a melhor tradução do que é  real...

 

Lá, coloco minha mais bela roupa a tua espera afrodite. Porque tu vestida para amar quer o entusiasmo dos mortais sem as artimanhas dos cultuadores da insana moral.

 

Nesta casa repleta de portas para entrar e nenhuma para sair

Vou contando o dia que vira proclamar que tudo não passou de indagações criadas pela simples capacidade de pensar...

Loucura; dirão a te encontrar declamando este poema pizarro!

Demente; chamaram os médicos que mentem diagnosticar o que eles também sentem!

Inspirador é o arquiteto construtor de casas cheias de devaneios e palavras...

Seu arrimo tem rimas?

Suas colunas são concretas?

Seu teto abissal, tão distante como saturno e tão intenso como o sistema neural...

 

Lá na casa do sonho, na casa do riso

Cidades e mais cidades são iluminadas por sua usina de vagalumes

Eu não nomeio aquele que está em todos, mas outros chamarão de louco, outros de poeta.

 

 

ENCONTROS E DESPEDIDAS

 

 

Aqui me despeço

Juntando migalhas do que poderia ou não ser feito

E assim guiando o destino como rota de contramão

Vou cumprimentar rostos acenando a boa viagem...

 

Encontrarei sonhos desfeitos

Mares de arrependimento

Mas levando comigo a chama dos viventes...

 

Novas paragens

Encontraremos aqueles que amam como nos

Em cada luz no olhar uma fagulha de um incêndio

E no horizonte a miragem de que tudo pode mudar...

 

E se retroceder aquele instante de despedida

Desfazendo todas tristezas e saudades que causaria

Transforme o adeus em reencontro

As lágrimas em alegria de beijos e abraços colossais.

 

VIA DUPLA

 

 

Essas primeiras décadas desse novo século a política do Brasil chegou ao seu limiar - apocalypse now .

Seus medíocres representantes alimentam crises, eliminaram ideologias, sucumbiram a chamada Esquerda com atos de Direita, deram voz falaciosa a histórica setores conservadores   para falarem em nome dos desfavorecidos e os seguimentos do  movimento operário foram engessadas em meio a tal caos e absurdos...

 

Esse sentimento semelhante a conduzir um veículo desgovernado ou sem freios em alta velocidade em nebulosa estrada volta à tona:

 

- Pelo retrovisor observamos que tudo que lutamos e passamos pode se perder... Os vermes do absurdo estão na nossa rabeira, por um assalto querem conduzir de novo o veículo com discórdia ou ditadura;

 

- A frente uma estrada cheia de descasos e injustiças que somente podemos vencer passando por cima, extirpando o mal pela raiz, caso contrário seremos atropelados pelo desmando e a miséria da política capitalista;

 

- Do lado da Esquerda em meio a essa guerra sem nenhuma ideologia que o apoie, sem nenhum propósito igualitário os trabalhadores sedentos estão como postes, estáticos no temporal;

 

- Do lado da Direita, as hienas exploradoras retomam seus trabalhos arquitetando e inovando seus famigerados golpes para dominar o corpo social... 

 

- E acima de nós apenas o céu...

 

     

 

CAPUCHETA

 

 

No céu uma dança no vento guiada pelo carretel de mãos pequeninas

Uma constelação de cometas multicolores...

Plainando e rasgando o ventre do azul celeste...

 

De repente uma guerra deflagra

Pipas, papagaios, peixinhos, capuchetas são arsenais

Do Zigue-zague, desbicadas, enlaçadas e cortes magistrais 

Onde se ganha ou fracassa...

Ninguém morre...

E quem perde a batalha pode voltar vigoroso!

 

Gandulas à espreita

Um arrastão de moleques atropelam pedestres, automóveis, muros e caes ferozes em seus quintais

Dona Maria grita por ir ao chão as roupas de seus varais...

Seu Ricardo xinga com a bengala em punho...

 

A volta às aulas faz cessar a euforia

Que voltara nas próximas férias com a mesma alegria...

 

Tudo isso faz parte de um passado que revivo na infância de outros...

Isso talvez não importe na cabeça desses acrobatas e kamikazes mirins

 

Afinal o tempo e o vento conduz tudo e todos...

 

 

 

SUPERNOVA

 

 

Quando partir não terei remorsos do que fiz...

As saudades que levo serão compartilhadas com lembranças que deixarei...

 

 

Sem os receios que fortalecem as dúvidas fiz minhas escolhas...

Mesmo que tantos empecilhos e covardias retardassem meus propósitos...

Como a morte que não oferece caminho de retorno

A vida que te deu o mundo também o deixará...

 

 

Seguirei nesta outra jornada com luz própria

A caminho de tantas outras estradas da natureza cósmica...

 

terça-feira, 6 de outubro de 2020

 

RELEASE

 

  

Sei de suas razões e angústias

Sei das coisas que impedem de fazer o que desejaria

Poder escolher estar com outro alguém...

E o mundo dividido levar todos para um mal irreversível ou continuar na mesmice de sempre!

 

Tudo mudar é o desafio do nosso amanhã...

 

Eu tento

Mas de alguma forma você consegue retornar...

Vezes por desejos

Vezes em sonhos, sempre sorrindo para mim...

 

Mas saiba que o que sinto por você ficará 

Pelo simples motivo que é só meu

E que ninguém no mundo pode tirar

Apenas o outro dia depois de meu último fôlego pôr fim a essa existência!       

 

Tudo mudar é o desafio do nosso amanhã...

 

sábado, 26 de setembro de 2020

 

MENINA DOS OLHOS

 

Por onde ando

Você é meu guia

Plainando, atravesso multidões para te ver de perto

E quando deparo contigo

Cara a cara

Teu brilho é como água do mar...

 

 

Um dedo em riste

Reclama meu olhar

Por que as meninas sentem ciúmes de outras meninas?

Por serem tão belas quanto elas?

Soslaios querem te fazer acreditar

Que meus olhos são apenas teus!

 

 

Com o relógio à vista

Corre feito louco

Atropelando camelôs e bugingangas

Correm entre os carros, prédios, lotações, corre...

Pra pagar as contas, pra poder comer, vestir o filho, pra esquecer Maria que cobra todo dia um pouco de atenção para o seu tesão...

Sem perceber que sua vida parada como pedra no caminho a espera de algum tropeço o desperte.

Xingando ter culpa os pais dos filhos da puta do atraso de sua partida

Zé quer ter promoção ao chegar no trabalho onde o patrão de sentinela e com relógio a prazo te dará o troco.

 

Zés destes tempos

Não sente que já é tempo

Tempo de viver enquanto a vida escorre pelos dedos

Decodificando seu submundo.

 

Tempo senhor das Eras

Tempo senhor dos tempos

Homem escravo do tempo

Homem escravo do homem

 

Escravo

do

 

ESCRAVO.

 

 

 

PINGO D’ÁGUA

 

 

 

 

Às vezes me sinto

Largado no mar

Procurando nas ruas ou em qualquer lugar...

Você, o verbo amar

Você, não quer deixar...

 

Mas sempre um dedo aponta no ar...

Ditando caminhos

Para largar

Você, o verbo amar

Você, não quer deixar...

 

Pingo d’água na moleira

Quase o dia, noite inteira.

É preciso mais...

É preciso muito mais...

Para poder acabar com o mal que tanto se faz.

 

 

 

DORES DO SABER

 

 

 

                   Meu companheiro de sonhos

                   Eu sei que é triste e indiferente

                   Saber ou não saber.

                   Eu sei o que sentiu

                  Porque vejo o descontentamento em minhas entranhas

                   Mesmo sem a intensidade que te feriu.

                   Esta ansiedade de mudanças

                   Pode ser loucura

                   Mas como tentou dizer meu companheiro de sonhos

                   A verdade do louco é a certeza do sábio.

 

                   Sei que a tristeza que aguça e inflama nosso peito

                   Não é de derrota

                   Não é de fraqueza

                   Nem de compaixão ao mundo.

                   É apenas companheiro de sonhos

                   De saber “que poucos querem saber ”

                   De saber que poucos são felizes

                   De saber que poucos lutam.

 

                   Esta é nossa triste verdade

                   Não adianta querer costurar nossos lábios

                   Nos cantos das orelhas para mostrar-se satisfeitos.

                   Sabemos que esta ferida e crua e demais dolorida

                   Em pensar que o mundo pode estar adentro

E perceber que a única revolução humana que enxergamos esta restrita...

 

À própria morte?


sexta-feira, 25 de setembro de 2020

 

VIDA REMOTA 

 

 

Todo momento deparo com suas esquisitices 

De estar sempre querendo falar de seus atropelos 

De suas injúrias contra tudo e todos... 

Estou tão cansado de ver teu reflexo 

Tuas reflexões sobre você mesmo!

Sobre esse mundo que tanto almeja, mas jamais verá na sua existência ... 

 

Infeliz, pandêmico, grotesco é te ver todo dia  

Ao acordar, a boca seca pedi menta...

Minta... É sua ninfa e amante de Hades!



Quer mesmo é dar o fora... 

Mas é covarde e está sozinho...

Mas fica nessa conversa doida consigo 

Com palavras rebuscadas de seu vocabulário academicista. 

Solilóquio, solitário ou reservado é a mesma coisa seu egocêntrico 

Fugindo de tudo diz que foi infectado por esse mal que assola o mundo dos isolados... 

Amigos se tivesse não te ajudaria... 

Teus amigos são na verdade um celular e um laptop...

 

Agora quer ser salvo de si mesmo 

Mas a verdade e que desse mal ninguém terá a cura! 

E quando tua covardia romper sua timidez 

Estará no último fôlego... 

Querendo confessar que queria mais uma chance de dizer e fazer o que nunca foi capaz... 

Cumprido sua missão teu corpo não te aguenta mais 

E teu cortejo limitado será para não contagiar os demais infectados... 

E você com seus tantos eus 

Dirão que ainda há tempo 

De sair dessa reflexão refletida nesse teu espelho e de teu pequeno mundo...