segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

 

      PRELÚDIO



Caminhar no mundo de tantas posses

O cercado que separa: quem semeia de quem come.

 

Na véspera de um “novo tempo”

A técnica busca superar: o olhar, o ouvir, o sentir, o falar...

 

A palavra que ecoa na casa das palavras

Dos homens que anunciam

A arte da revelação contra a maior opressão. 

 

A palavra que ecoa na casa das palavras

Que denuncia a mão que aleja os corpos de quem esculpi.

 

A palavra que ecoa na casa das palavras

Afirmando que se o verbo veio primeiro então cante para os corações e mentes: Revolução...

 

 

segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

                             ENCONTROS E DESPEDIDAS

 

 

Aqui me despeço...

Juntando migalhas do que poderia ou não ser feito!

E assim guiando o destino como rota de contramão

Vou cumprimentar rostos acenando a boa viagem...

 

Encontrarei sonhos desfeitos...

Mares de arrependimento!

Mas levando comigo a chama dos viventes...

 

Novas paragens

Encontraremos aqueles que amam como nós...

Em cada luz no olhar uma fagulha de um incêndio!

E no horizonte a miragem de que tudo pode mudar...

 

E se retroceder aquele instante de despedida...

Desfazendo todas tristezas e saudades que causaria!

Transforme o adeus em reencontro...

As lágrimas em alegria de beijos e abraços colossais.

quarta-feira, 6 de novembro de 2024

                                                     Com o relógio à vista

Corre feito louco

Atropelando camelôs e bugingangas

Correm entre os carros, prédios, lotações, corre...

Pra pagar as contas, pra poder comer, vestir o filho, pra esquecer Maria que cobra todo dia um pouco de atenção para o seu tesão...

Sem perceber que sua vida parada como pedra no caminho a espera de algum tropeço o desperte.

Xingando ter culpa os pais dos filhos da puta do atraso de sua partida

Zé quer ter promoção ao chegar no trabalho onde o patrão de sentinela e com relógio a prazo te dará o troco.

 

Zés destes tempos

Não sente que já é tempo

Tempo de viver enquanto a vida escorre pelos dedos

Decodificando seu submundo.

 

Tempo senhor das Eras

Tempo senhor dos tempos

Homem escravo do tempo

Homem escravo do homem

 

Escravo

do

 

ESCRAVO.

 

 

 

A PENÚLTIMA REVOLUÇÃO

 

Quando ouço certas canções

Pedaços de sentimentos...

Temores, desejos, lutas e glorias!

Não cabe em meu pensamento

Não cabe em meu sentimento

Não cabe essa incessante vontade de prosseguir...

Não cabe aceitar a efemeridade dos extremos da riqueza e pobreza

Não cabe...

 

 

Vamos!

Peguemos as armas...

Vamos!

Lutemos até a morte da alienação.

“Quem anda com luz própria, nada pode apagar...”

 

 

Não temos mais nada a perder

Ou nosso propósito alimentara as nossas vidas

Ou a predestinação do sistema guiara todos ao caos.

Não a justiça para quem esta morto.

 

Vamos!

Peguemos as armas...

Vamos!

Lutemos até a morte da alienação.

“Quem anda com luz própria, nada pode apagar...”

 

Nossos filhos agora terão o que fazer...

Façamos o movimento

Façamos a Revolução

Que a Consciência fará o resto...

quarta-feira, 16 de outubro de 2024

 CRISTO ATEU




Em nome de deus justificam a guerra
A terra santa sangra a paz
Das fendas os elos brotam raízes
Milênios em seis dias se faz.


Com multidões veio um homem prometendo a terra
Outro homem pedindo a paz.
“Uma terra sem povo para um povo sem terra”
Terra donde ninguém se entende mais.


E no muro de lamentos e orações...
Pedras intifadas picham soldados que fuzilam o perdão.

Kibutz não sejam campos
Que concentrem a divisão.
E que as fatwas não sejam facas
Cortando a expressão.

“Uma terra sem povo para um povo sem terra”
Eis a questão!



 

        PRELÚDIO


 

 

Caminhar no mundo de tantas posses

O cercado que separa: quem semeia de quem come.

 

 

Na véspera de um “novo tempo”

A técnica busca superar: o olhar, o ouvir, o sentir, o falar...

 

 

A palavra que ecoa na casa das palavras

Dos homens que anunciam

A arte da revelação contra a maior opressão.

 

 

A palavra que ecoa na casa das palavras

Que denuncia a mão que aleja os corpos de quem esculpi.

 

 

A palavra que ecoa na casa das palavras

Afirmando que se o verbo veio primeiro então cante para os corações e mentes: Revolução...

 

 

 SUPERNOVA

 

 

Quando partir não terei remorsos do que fiz...

As saudades que levo serão compartilhadas com lembranças que deixarei...

 

 

Sem os receios que fortalecem as dúvidas fiz minhas escolhas...

Mesmo que tantos empecilhos e covardias retardassem meus propósitos...

Como a morte que não oferece caminho de retorno

A vida que te deu o mundo também o deixará...

 

 

Seguirei nesta outra jornada com luz própria

A caminho de tantas outras estradas da natureza cósmica...

 

segunda-feira, 23 de setembro de 2024

 VIDEIRA



Como videira nasci em teu jardim
Alimentado por seu carinho
Escalei as paredes abraçando suas orquídeas...

Mas incomodada com tal vigor transformou o outono em inverno e os dias claros em algo frio e nebuloso!

Agora veja como estamos...
Sem dar frutos, com folhas secando vivo os dias...

Agora veja como estamos...
E como pode ser seu jardim ???

Agora sei que de tantas verdades que existem uma ainda
Me prendi a ti...

Minha videira... 

quinta-feira, 19 de setembro de 2024

 ENCONTROS E DESPEDIDAS

 

 

Aqui me despeço

Juntando migalhas do que poderia ou não ser feito

E assim guiando o destino como rota de contramão

Vou cumprimentar rostos acenando a boa viagem...

 

Encontrarei sonhos desfeitos

Mares de arrependimento

Mas levando comigo a chama dos viventes...

 

Novas paragens

Encontraremos aqueles que amam como nos

Em cada luz no olhar uma fagulha de um incêndio

E no horizonte a miragem de que tudo pode mudar...

 

E se retroceder aquele instante de despedida

Desfazendo todas tristezas e saudades que causaria

Transforme o adeus em reencontro

As lágrimas em alegria de beijos e abraços colossais.

quarta-feira, 17 de julho de 2024

 VIA DUPLA



Essas primeiras décadas desse novo século a política do Brasil chegou ao seu limiar - apocalypse now .
Seus medíocres representantes alimentam crises, eliminaram ideologias, sucumbiram a chamada Esquerda com atos de Direita, deram voz falaciosa a histórica setores conservadores para falarem em nome dos desfavorecidos e os seguimentos do  movimento operário foram engessadas em meio a tal caos e absurdos...

Esse sentimento semelhante a conduzir um veículo desgovernado ou sem freios em alta velocidade em nebulosa estrada volta à tona:

- Pelo retrovisor observamos que tudo que lutamos e passamos pode se perder... Os vermes do absurdo estão na nossa rabeira, por um assalto querem conduzir de novo o veículo com discórdia ou ditadura;

- A frente uma estrada cheia de descasos e injustiças que somente podemos vencer passando por cima, extirpando o mal pela raiz, caso contrário seremos atropelados pelo desmando e a miséria da política capitalista;

- Do lado da Esquerda em meio a essa guerra sem nenhuma ideologia que o apoie, sem nenhum propósito igualitário os trabalhadores sedentos estão como postes, estáticos no temporal;

- Do lado da Direita, as hienas exploradoras retomam seus trabalhos arquitetando e inovando seus famigerados golpes para dominar o corpo social... 

- E acima de nós apenas o céu...

 LE IT BE


 

Foi na dissonância...

Dos enigmas que traduzem as canções

O querer saber onde os pés das paixões caminham

Na estrada sinuosa do devir...

 

Gostar tanto de você

Como posso cobrar explicações

Daquilo que ainda aflora no meu peito

Como broto, como árvore

Que nasce nas pedras de meu tempo...

 

Deixe estar!

A estranha forma de responder

Aquilo que marca como tatuagem...

E se houver um dia sem você...

Porque se me faz tão bem?

Deixe estar!

 

E de absolutos escárnios

Sejam calados por nossos gemidos

Frases sussurradas aos seus ouvidos

Vem comigo!

     

 

quarta-feira, 3 de julho de 2024

 CAPUCHETA






No céu uma dança no vento guiada pelo carretel de mãos pequeninas
Uma constelação de cometas multicolores...
Plainando e rasgando o ventre do azul celeste...

De repente uma guerra deflagra
Pipas, papagaios, peixinhos, capuchetas são arsenais
Do Zigue-zague, desbicadas, enlaçadas e cortes magistrais 
Onde se ganha ou fracassa...
Ninguém morre...
E quem perde a batalha pode voltar vigoroso!

Gandulas à espreita
Um arrastão de moleques atropelam pedestres, automóveis, muros e cães ferozes em seus quintais
Dona Maria grita por ir ao chão as roupas de seus varais...
Seu Ricardo xinga com a bengala em punho...

A volta às aulas faz cessar a euforia
Que voltará nas próximas férias com a mesma alegria...

Tudo isso faz parte de um passado que revivo na infância de outros...
Isso talvez não importe na cabeça desses acrobatas e kamikazes mirins

Afinal o tempo e o vento conduz tudo e todos...




terça-feira, 28 de maio de 2024

 MANIFESTO



O que dizer neste momento de total putrefação
A resistência parece estagnada ao sentir a opressão vestida com adereços tecnológicos da mesma ilusão...
Perdeu-se  o compromisso com a consciência de classe os trabalhadores?
Seus idealizadores não ressoam mais o Manifesto em nome dos explorados?
O que fizemos e deixamos de fazer como militantes das bandeiras da libertação?

Não pense que o mundo tornou-se mais humano e o capitalismo sociável.
Não pense que temos que inventar outras ideologias para que os trabalhadores rompam com os grilhões que acorrentam sua sede por justiça...
Tudo está lá como sempre esteve: o sistema bárbaro e carcomido pelo câncer capitalista devorando todo o organismo composto do micro e macrocosmo planetário; A pobreza sustentando o reino consumista da abundância; A miséria da filosofia em nome da benevolência dos hipócritas;

Revolucionar, a priori é tomar consciência de sua realidade...
Revolucionar é buscar romper com a alienação que se alia com às formas mais grotesca da convivência humana.
Revolucionar é tentar mudar nossas vidas e a dos outros sem esperar as vantagens que isso lhe proporcionara...
Revolucionar é a perspectiva de um mundo e uma nova ordem que propicie um equilíbrio entre homem e natureza...
Revolucionar e tomar o açoite do opressor e fazer justiça em prol da igualdade de direitos.
Revolucionar é acabar com o atual sistema econômico global que visa à opressão, a exploração dos homens e dos recursos naturais e a especulação e o domínio das riquezas...
Revolucionar é cultivar a cultura do afeto, da poesia que está nas artes humanas e na  utilização consciente da ciência e da tecnologia em prol da preservação de todos os seres vivos...
Revolucionar é respeitar até as limitações que a própria natureza humana enfrenta ponderando a escolha daquilo que podemos ou não acreditar para não cria falsas ilusões sobre o que permeia a morte e os mistérios do universo.
Revolucionar é acordar ou dormir a hora que for almejando a convivência sadia com o próximo...
Revolucionar é a incessante buscar da liberdade sabendo que jamais seremos felizes se aqueles que convivem com você não compartilham desse mesmo sentir...
Revolucionar é o Ser, o Sentir sem a maestria do Ter...
Revolucionar é o Ter, não como atributo da posse, mas no sentido do fazer que a própria revolução constante realiza no entendimento que o novo sempre vem...  

 CASA DOS POETAS


Lá na casa do sonho, na casa do riso
A vida ficcional determina quem é quem.

Lá na casa do sonho, na casa do riso
Ninguém é deveras feliz, tão pouco triste...
Viver o momento é presente, é a melhor tradução do que é  real...

Lá, coloco minha mais bela roupa a tua espera afrodite. Porque tu vestida para amar quer o entusiasmo dos mortais sem as artimanhas dos cultuadores da insana moral.

Nesta casa repleta de portas para entrar e nenhuma para sair
Vou contando o dia que vira proclamar que tudo não passou de indagações criadas pela simples capacidade de pensar...
Loucura; dirão a te encontrar declamando este poema bizarro!
Demente; chamaram os médicos que mentem diagnosticar o que eles também sentem!
Inspirador é o arquiteto construtor de casas cheias de devaneios e palavras...

Seu arrimo tem rimas?
Suas colunas são concretas?
Seu teto abissal, tão distante como saturno e tão intenso como o sistema neural...

Lá na casa do sonho, na casa do riso
Cidades e mais cidades são iluminadas por sua usina de vagalumes


Eu não nomeio aquele que está em todos, mas outros chamarão de louco, outros de poeta. 

 ORQUIDÁRIO


 

O que seria as coisas sem os sentidos que damos a elas...

Como o beijo faz com a boca

Um sabor melhor de todas as guloseimas

Uma comida de um alimento que nunca se farta...

 

O que seria as coisas sem os sentidos que damos a elas...

Como as flores...

Como as orquídeas  com cores de calcinha...

Como são lindas...

As flores fazem as cores e as cores fazem as flores?

O que interessa é a importância que damos a elas...

 

O que seria as coisas sem os sentidos que damos a elas...

O que seria da palavra sem a poesia indagaria o poeta:

O beijo faz a flor ficar mais viva ou a dona ficar mais bela?

 

Logo esse ladrão de emoção...

Que rouba teu chão...

Acaricia tuas flores...

Rouba teu sono...

E você como presa em sua ousadia

Fica a espreita a espera do próximo assalto...

 

O que seria as coisas sem os sentidos que damos a elas...

Como as flores...

Como as orquídeas  com cores de calcinha...

Como são lindas...

As flores fazem as cores e as cores fazem as flores?

O que interessa é a importância que damos a elas...