domingo, 26 de janeiro de 2025

 Tu, palavra desmedida inventada pelo meu povo.

Explicação do que sinto
É distrair-se desse sentimento que corta como navalha a carne.

Esta calma estranha
Como a espera de um furacão
A ponte que liga a paixão a um amor anônimo,
A ponte criada para unir o que está separado.

No trote tu me sacode
Mas antes ludibria com  galope compassado
Pisando no gramado da pele que acariciava com o coito.
Como vício me flagela fazendo querer mais este ódio que assola
Depois fissura minhas portas e janelas escancaradas pelo desejo.

Saudações de um anfitrião pedindo esmola
Morrendo de fome provocada pela ausência de tua presença.
Kamikaze, irei ao teu encontro
Querendo matar, querendo morrer
Se tu esquecer algum dia de me visitar,

                                                                         SAUDADE.

       


 CLAVE DE SOL




Esse lindo dorso
De flores que exalam aromas que inspiram
Poemas, melodias e tons de sol...
Tatuando o desejo...



E ai procuro palavras...
Que rime com meu estado de espírito
Vezes são melódicas
Vezes são navalhas que cortam...



Essa caça para ser presa...
Essa chave perdida de tantas portas fechadas e abertas
Algumas emperradas pela espera e procura...
Algumas entreabertas pelo descuido...



Esse lindo dorso
De flores que exalam aromas que inspiram
Poemas, melodias e tons de sol...
Essa chave perdida de tantas portas fechadas e abertas
Unindo e separando como Mandalas...
O meu e o seu universo...

 MENINA DOS OLHOS

 

Por onde ando

Você é meu guia

Plainando, atravesso multidões para te ver de perto

E quando deparo contigo

Cara a cara

Teu brilho é como água do mar...

 

 

Um dedo em riste

Reclama meu olhar

Por que as meninas sentem ciúmes de outras meninas?

Por serem tão belas quanto elas?

Soslaios querem te fazer acreditar

Que meus olhos são apenas teus!

 

 ORQUIDÁRIO


 

O que seria as coisas sem os sentidos que damos a elas...

Como o beijo faz com a boca

Um sabor melhor de todas as guloseimas

Uma comida de um alimento que nunca se farta...

 

O que seria as coisas sem os sentidos que damos a elas...

Como as flores...

Como as orquídeas  com cores de calcinha...

Como são lindas...

As flores fazem as cores e as cores fazem as flores?

O que interessa é a importância que damos a elas...

 

O que seria as coisas sem os sentidos que damos a elas...

O que seria da palavra sem a poesia indagaria o poeta:

O beijo faz a flor ficar mais viva ou a dona ficar mais bela?

 

Logo esse ladrão de emoção...

Que rouba teu chão...

Acaricia tuas flores...

Rouba teu sono...

E você como presa em sua ousadia

Fica a espreita a espera do próximo assalto...

 

O que seria as coisas sem os sentidos que damos a elas...

Como as flores...

Como as orquídeas  com cores de calcinha...

Como são lindas...

As flores fazem as cores e as cores fazem as flores?

O que interessa é a importância que damos a elas...

 

 

 ASTROLÁBIO


 

Como posso estar?

Se o meu pensar vive preso a ti...

 

E meu Falo em riste

Procura desorientado seu pólo...

Minha bússola...

terça-feira, 14 de janeiro de 2025

 

ABISSAL

 

 

Mergulhando nas lentes de um olhar

Desvaneço abrindo as asas do coração

Degradê como as águas do mar

Cristalizar o que é só tristeza, e o que é só alegria?

Inútil distinguir qual a parte que me pertence.

 

 

Desarmado entro no ringue

Sou Cortázar abandonando os socos de boxe

Para agarrar uma caneta e lutar pelo amor e a vida.

Sentir o aflorar do sentido peculiar das universalidades

Dos seres e das coisas simples.

 

 

Mas nunca é tarde para descrever o que sinto agora

Uma imensa satisfação de sentar na varanda do mundo

E enxergar a ludibriante aventura humana de estar constantemente querendo...

Sair a deriva na alcoólica noite discutindo sem razão para entender o ideal alheio, ver as mulheres passando os homens que passam, xingar a política daqueles que jogam a bola das futilidades...

Mudando o discurso falarei como um mecenas insinuando que não se deve cuspir nos pratos, plantarei uma árvore mesmo que os meus negócios dependam dela, acordarei sempre às seis da manhã chamando-a de meu bem...

 

 

Uma imensa satisfação de sentar na varanda do mundo

Procurando saber qual à parte que me pertence

Cristalizar o que é só tristeza, e que é só alegria?

É a própria vida manifestando em tudo que se move

Como uma folha na dança do vento

Manifestai poesia...

 

 

domingo, 5 de janeiro de 2025

 

MAR ADENTRO

 

No oceano da procura...

Vastidão de saudades e lembranças...

A espera de um brilho no olhar

Como sol descortinando a manhã de nossos dias... 

 

Vento de meu destino

Leva de dia para a terra e a noite para a'mar...

 

No oceano da procura 

Vastidão de saudades e lembranças...  

 

 

sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

 

ESTAÇÕES

 

 

 

 

         Esta chuva caindo, caindo

                                                        Trás lembranças daqueles dias...

                                                        Que o sol brilhava

                                                        E o calor deixava-nos aquecidos.

 

 

 

                                                        Sei que os tempos mudam

                                                        Com ele, consequentemente nós.

                                                        Mas a natureza tem seus estágios

                                                        Nem por isso se desfaz.

 

 

 

         Tempestades talvez apontem,

                                                        Animais famintos de amor e paz.

 

 

 

         Mas eu quero o amanhã,

                                                        De portas abertas

                                                        Que as vidas sejam vivas

                                                        E a natureza nos conduza

                                                        A dimensões suaves e doces.  

 

 

 UNIVERSO PARALELO




Observando o céu de estrelas
Imensidão abstraída no pensamento
Como formigas saqueando torrões de açúcar
De um pão de sonho cosmogonista.

Zeus e seu olímpo de orixás zodiacais
No entender dos homens deus fez o mundo e vigia tudo
Para Zeus os homens são instrumentos das vontades divinas
Jogos de amor e ódio.

Mesmo que insista na pergunta
Mesmo que não aches a resposta:
O mundo é feito de poesia que faz e desfaz...
Reticulando a imagem que vês
Vezes enganando o que senti.

O que queres que eu responda?
Que o mundo imundo que vivemos é um aquário de peixes com bocas  que gesticulam sempre o sim!
Que o mundo imundo que vivemos é um teatro de fantoches com sua história já descrita e narrada?
Que o mundo imundo que vivemos é a poeira de um tempo que leva tempestades mas também carrega sóis e chuvas...
Que o mar que habita meu sertão é maior que todos os sertões...

E o que mais desejo é estar numa roda de amigos cantando, bebendo os prazeres da vida, antes que o tempo se esvai...
Antes que meus olhos cansem de olhar quantas estrelas
Que habitam tantos pensamentos e encham meu universo apraz!

 SEGUNDO SOL

 

 

Não quero ver...

Reflexos do remorso nos seus olhos

Depois de todo esse tempo

Que demos voltas em torno do sol...

E o meu sentir continua em sua órbita...

 

Meu mundo não tem mais a dança da lua

Meu sol da meia-noite perdesse para algum dia!

 

Quando não se tem culpa e os motivos justificam as decisões

Quando as palavras virão correntezas

Valores inundam sentimentos

Nosso universo fica vazio...

 

Meu mundo não tem mais a dança da lua

Meu sol da meia-noite perdesse para algum dia!

 

Não quero ver...

Reflexos do remorso nos seus olhos

Depois de todo esse tempo

Que demos voltas em torno do sol...

E o meu sentir continua em sua órbita...

 

   


                                                            CASA DOS POETAS


Lá na casa do sonho, na casa do riso
A vida ficcional determina quem é quem.

Lá na casa do sonho, na casa do riso
Ninguém é deveras feliz, tão pouco triste...
Viver o momento é presente, é a melhor tradução do que é  real...

Lá, coloco minha mais bela roupa a tua espera afrodite. Porque tu vestida para amar quer o entusiasmo dos mortais sem as artimanhas dos cultuadores da insana moral.

Nesta casa repleta de portas para entrar e nenhuma para sair
Vou contando o dia que vira proclamar que tudo não passou de indagações criadas pela simples capacidade de pensar...
Loucura; dirão a te encontrar declamando este poema bizarro!
Demente; chamaram os médicos que mentem diagnosticar o que eles também sentem!
Inspirador é o arquiteto construtor de casas cheias de devaneios e palavras...

Seu arrimo tem rimas?
Suas colunas são concretas?
Seu teto abissal, tão distante como saturno e tão intenso como o sistema neural...

Lá na casa do sonho, na casa do riso
Cidades e mais cidades são iluminadas por sua usina de vagalumes


Eu não nomeio aquele que está em todos, mas outros chamarão de louco, outros de poeta.