domingo, 23 de fevereiro de 2025

 PROCISSÃO


De hoje em diante
Não trairei mais as leis e ordens cidadãs
Não encherei a cara de cachaça
Embriagando os ambientes de dizeres obcenos.

Ficarei sereno
Com a sensatez dos tolos
Porque você merece estar tranquilo aceitando o destino traçado por deus.

Estarás incólume como uma barata num cubículo escuro
A espera do próximo cortejo que o levara direto para o céu...
Sete palmos abaixo da terra.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

 O ESCUDO DE PHOBOS




Quando a dúvida sombrea o sentimento
Quando a intuição viola a razão...

O beijo na boca seca
O olhar fica opaco e triste
E a carícia que afagava mácula a pele...



Quando a dúvida sombrea o sentimento
Quando a intuição viola a razão...

Não adianta mais dizer
O silêncio covarde tudo dirá...
Que todo amor revelado tantas vezes
Se perde na avalanche de tantos medos...


 VIDEIRA



Como videira nasci em teu jardim
Alimentado por seu carinho
Escalei as paredes abraçando suas orquídeas...

Mas incomodada com tal vigor transformou o outono em inverno e os dias claros em algo frio e nebuloso!

Agora veja como estamos...
Sem dar frutos, com folhas secando vivo os dias...

Agora veja como estamos...
E como pode ser seu jardim ???

Agora sei que de tantas verdades que existem uma ainda
Me prendi a ti...

Minha videira... 

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

                                                          CRISTO ATEU




Em nome de deus justificam a guerra
A terra santa sangra a paz
Das fendas os elos brotam raízes
Milênios em seis dias se faz.


Com multidões veio um homem prometendo a terra
Outro homem pedindo a paz.
“Uma terra sem povo para um povo sem terra”
Terra donde ninguém se entende mais.


E no muro de lamentos e orações...
Pedras intifadas picham soldados que fuzilam o perdão.

Kibutz não sejam campos
Que concentrem a divisão.
E que as fatwas não sejam facas
Cortando a expressão.

“Uma terra sem povo para um povo sem terra”
Eis a questão!


segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

 SUPERNOVA

 

 

Quando partir não terei remorsos do que fiz...

As saudades que levo serão compartilhadas com lembranças que deixarei...

 

 

Sem os receios que fortalecem as dúvidas fiz minhas escolhas...

Mesmo que tantos empecilhos e covardias retardassem meus propósitos...

Como a morte que não oferece caminho de retorno

A vida que te deu o mundo também o deixará...

 

 

Seguirei nesta outra jornada com luz própria

A caminho de tantas outras estradas da natureza cósmica...

 

 

 

 

PRELÚDIO



 

Caminhar no mundo de tantas posses

O cercado que separa: quem semeia de quem come.

 

 

Na véspera de um “novo tempo”

A técnica busca superar: o olhar, o ouvir, o sentir, o falar...

 

 

A palavra que ecoa na casa das palavras

Dos homens que anunciam

A arte da revelação contra a maior opressão.

 

 

A palavra que ecoa na casa das palavras

Que denuncia a mão que aleja os corpos de quem esculpi.

 

 

A palavra que ecoa na casa das palavras

Afirmando que se o verbo veio primeiro então cante para os corações e mentes: Revolução...

 


 CASA DOS POETAS


Lá na casa do sonho, na casa do riso
A vida ficcional determina quem é quem.

Lá na casa do sonho, na casa do riso
Ninguém é deveras feliz, tão pouco triste...
Viver o momento é presente, é a melhor tradução do que é  real...

Lá, coloco minha mais bela roupa a tua espera afrodite. Porque tu vestida para amar quer o entusiasmo dos mortais sem as artimanhas dos cultuadores da insana moral.

Nesta casa repleta de portas para entrar e nenhuma para sair
Vou contando o dia que vira proclamar que tudo não passou de indagações criadas pela simples capacidade de pensar...
Loucura; dirão a te encontrar declamando este poema bizarro!
Demente; chamaram os médicos que mentem diagnosticar o que eles também sentem!
Inspirador é o arquiteto construtor de casas cheias de devaneios e palavras...

Seu arrimo tem rimas?
Suas colunas são concretas?
Seu teto abissal, tão distante como saturno e tão intenso como o sistema neural...

Lá na casa do sonho, na casa do riso
Cidades e mais cidades são iluminadas por sua usina de vagalumes


Eu não nomeio aquele que está em todos, mas outros chamarão de louco, outros de poeta. 

domingo, 2 de fevereiro de 2025

 CALEIDOSCÓPIO

 

 

 

         Vejo as luzes que alimentam a imaginação e queima a retina

          Dos olhos o mundo que tu achas tão grande com sua pequenez

Que não se deu conta de tantos sentimentos guardados aquela pessoa Ladrão de lençóis.  

        

A dança dos acontecimentos conspirou

Para que o problema financeiro fez flertar

Não mais com o prisma ilusório do amor, mas o prazer das paixões...

 

As ondas sonoras dão cambiantes impressões

Quando tomamos café da manhã misturada com a ressaca dos exageros da noite passada.

Leituras sobre Franz Kafka, leituras sobre a ótica dos aborígines que cultivam os laços sem o germe bárbaro dos góticos.

 

Passei quinze anos pensando como eliminar esse voyeur

Mas sua silhueta visitava todas as noites meus sonhos de adolescente e acordava com as vestes molhadas pelo choque dos átomos provocados pela energia platônica.

 

Serei injusto contigo por não concordar com teu silêncio

Depois de tanto tempo ver tuas pupilas terem aquela réstia de cor e brilho que somente os amantes conseguem mostrar.

 

Às vezes sinto-me como os personagens de não amarás.