segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

 

GOVERNO PARALELO

Transeuntes
Meio-fio separa uma velha pedinte de correligionários
Da situação
Edificando conglomerados produtivos
Especulam
Na Bolsa dos quilos de cocaína
O morro.

Policiando
A justiça da cobra-cega
O tráfego
De influências...

Políticos
Avaliando o custo-benefício
Piramidal.

A bengala coligada
Guia
 A velha democracia

O peso da carcaça
Sucumbe a sapiência dos povos
Calcanhar-de-aquiles.


 

Tu, palavra desmedida inventada pelo meu povo.
Explicação do que sinto
É distrair-se desse sentimento que corta como navalha a carne.

Esta calma estranha
Como a espera de um furacão
A ponte que liga a paixão a um amor anônimo,
A ponte criada para unir o que está separado.

No trote tu me sacode
Mas antes ludibria com  galope compassado
Pisando no gramado da pele que acariciava com o coito.
Como vício me flagela fazendo querer mais este ódio que assola
Depois fissura minhas portas e janelas escancaradas pelo desejo.

Saudações de um anfitrião pedindo esmola
Morrendo de fome provocada pela ausência de tua presença.
Kamikaze, irei ao teu encontro
Querendo matar, querendo morrer
Se tu esquecer algum dia de me visitar,

                                                                         SAUDADE.

       


 A MEMÓRIA DOS SENTIDOS

 

 

 

Esqueça, que não te esquecerei...

Esse sempre foi o meu grandioso defeito

Pensar e sentir muito..

Em um piscar vem da memória

E dos sentidos o colapso...

 

 

Vem desperta de meu sono e me deixa nesse pesadelo

Como gostar sem poder querer...

Vem sentimento, varre e deixa apenas as palavras como consolo...

Vai pensamento, varre e deixa apenas as palavras como consolo...

Não esqueça, que não te esquecerei...

Que a intensidade não é arrependimento

 

Que meu desejo é vidraça que o pensar joga pedras...


 ILHA DESERTA





Lançados ao mar da vida
Procurando agarrar aquilo que não nos pertence
Conduzido pela corrente da incerteza
Sou Ulisses indo para casa
Desafiando os inventores de Poseidon.


Fiquei contente em avistar uma ilha
Depois percebi que ela também estava à espera de alguém
Deserto do meu oceano
Quem sou eu, quem é você ilha?


Talvez tenha exilado Bocage por dizer o que sentia e pensava
Quem sabe Papillon, fugindo na busca de liberdade
Até mesmo Napoleão, querendo retomar de assalto seu império
Quantos homens, quantas ilhas!


Queria a coragem de Espartacus
Encontrar em cada ilhota um escravo e levar ao continente uma avalanche de soldados.
Queria a coragem dos revolucionários de Serra Maestra
Destruir desertos e plantar sementes...
 [Não venha regar com areia o que você nunca tentou cultivar.Tenha a mesma determinação dos lavradores que semeiam a terra, porque o fruto provera].
Minha sede é a tua procura
Navio cruzando desertos...

  ENCONTROS E DESPEDIDAS

 

 

Aqui me despeço

Juntando migalhas do que poderia ou não ser feito

E assim guiando o destino como rota de contramão

Vou cumprimentar rostos acenando a boa viagem...

 

Encontrarei sonhos desfeitos

Mares de arrependimento

Mas levando comigo a chama dos viventes...

 

Novas paragens

Encontraremos aqueles que amam como nos

Em cada luz no olhar uma fagulha de um incêndio

E no horizonte a miragem de que tudo pode mudar...

 

E se retroceder aquele instante de despedida

Desfazendo todas tristezas e saudades que causaria

Transforme o adeus em reencontro

As lágrimas em alegria de beijos e abraços colossais.