quinta-feira, 4 de novembro de 2010

CONSCIÊNCIA NEGRA

QUILOMBOS


O sabo enganador

Ou rei Obá

Em troca de adornos civilizados

Arrancavam homens de seus lares

Para terras desconhecidas

Onde os hospedantes apagavam

Com açoites seus costumes, crenças e vidas

Apenas para lucrar.



Um dia eles acordaram

Fazendo um novo império também

Com sacrifícios e lutas gloriosas

Mostrando serem capazes aquém.

Passaram-se dias, anos, décadas

Negros, Zumbi, Ganga Zumba gloriosos

Brancos em cortes avergonhados.

Até o rei pediu compaixão

Pois sua riqueza

Fugira de suas próprias mãos.



Mas Zumbi em apogeu

Não quis negociação

Pois com sabedoria

Previa que seu povo

Somente tinha valia com a escravidão.



Como tantos, um carrasco

Ofereceu-se para destruir o “reino dos macacos”

Fazendo-se após o trato

Adquirir a riqueza e seu sonho abstrato

Dele tanto desejado.



O paraíso acabou

O inferno recomeçara

Findando os sonhos tão amados

Em sangue e mortes.

O exército da injustiça vencera Palmares.



Mas a liberdade “ganhada”

Que a história ofusca cedera.

Fez como todas pegadas, marcas...

Como herança

O preconceito sobrevive

Por quê? Não sabemos.

Talvez o tempo conscientize os homens

E um dia seremos iguais de verdade.

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