terça-feira, 14 de janeiro de 2025

 

ABISSAL

 

 

Mergulhando nas lentes de um olhar

Desvaneço abrindo as asas do coração

Degradê como as águas do mar

Cristalizar o que é só tristeza, e o que é só alegria?

Inútil distinguir qual a parte que me pertence.

 

 

Desarmado entro no ringue

Sou Cortázar abandonando os socos de boxe

Para agarrar uma caneta e lutar pelo amor e a vida.

Sentir o aflorar do sentido peculiar das universalidades

Dos seres e das coisas simples.

 

 

Mas nunca é tarde para descrever o que sinto agora

Uma imensa satisfação de sentar na varanda do mundo

E enxergar a ludibriante aventura humana de estar constantemente querendo...

Sair a deriva na alcoólica noite discutindo sem razão para entender o ideal alheio, ver as mulheres passando os homens que passam, xingar a política daqueles que jogam a bola das futilidades...

Mudando o discurso falarei como um mecenas insinuando que não se deve cuspir nos pratos, plantarei uma árvore mesmo que os meus negócios dependam dela, acordarei sempre às seis da manhã chamando-a de meu bem...

 

 

Uma imensa satisfação de sentar na varanda do mundo

Procurando saber qual à parte que me pertence

Cristalizar o que é só tristeza, e que é só alegria?

É a própria vida manifestando em tudo que se move

Como uma folha na dança do vento

Manifestai poesia...

 

 

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